“Venha garota triste
Mexa seus olhos cansados
O mundo está te esperando
Talvez todos os seus sonhos preencham o céu vazio
Mas se isso te faz feliz
Continue batendo palmas
Apenas lembre-se: eu estarei ao seu lado
E se você não deixar ir
Irá passar por você”
— Oasis - Let There Be Love

“Tire este olhar torto do teu rosto, pois entre as tuas mãos se encontra meu coração.”
— Desconhecido.

” Você pode planejar o teu futuro, mas nunca será capaz de apagar o teu passado”.

“Papai?” Sussurrei em seu ouvido. “Sim, querida?” Falou com sua voz dócil. Apertou-me em seu colo de uma forma que me proporcionasse segurança. “Um dia terei que te perder?” Questionei apertando minhas mãos em suas roupas. Papai silenciou-se, fitou o chão. Havia certa expressão em sua face, no qual não consegui identificar. O velei, aguardando ansiosamente a tenebrosa resposta. Seus olhos azuis pararam novamente em mim. Seus lábios cheios continham um largo sorriso amarelo, porém seus olhos azuis continham o martírio das conclusões de uma simples e dolorosa pergunta. “Dançaremos para todo o sempre” Disse, levantando-se, enquanto erguia-me em seu caloroso colo. O fitei. “Então…” Balançou-me em uma tentativa de despertar-me dos pensamentos. “O que?” Questionei confusa. “Dance comigo.” Sorri timidamente, porém aceitei. Papai colocou-me no chão, em pé. Ofereceu sua mão, e eu a agarrei subindo em seus pés. Guiando a mim e meu coração. Guardei em minha alma toda a candura deste belíssimo momento.

“Cuidado com as suas palavras e seus atos, meu jovem” - 15 anos depois

Coloquei minha saia preta, calcei meus sapatos. Agarrei-me ao violão e ao skate. Desci as escadas, deparando-me com um pai preocupado. “O que é?” Questionei seca. Ele apenas continuou a me fitar. Não havia nenhuma expressão de negação, nenhuma de frustração, apenas dor, tristeza. Abaixei minha cabeça. Passei por ele sem o atrevimento de encará-lo, “Eu te amo, filha.” Sussurrou. Abri a porta, ignorando tal comentário. Meu coração remetia-se a agarrar este amor, porém minha mente era travessa, deixou meu coração em tamanha angústia, atravessando a porta, levando consigo este coração dolorido.   (Giulia, garotamelancolica)


” Como seria a visão de um anjo sobre o mundo ? “

Eu observava tudo de longe, era tudo encantadoramente estranho. Via crianças a pular, idosos a caminhar, adultos a resmungar e até jovens a chorar. – Que jeito engraçado de se viver -.  Velei por longos minutos uma senhora. A idosa continha um olhar morto, sua face era extremamente enrugada, apertava forte o seu vestido cinza com as duas mãos. Não se atrevia a olhar nada mais que o chão. Sentada em um banco no parque, guardava em si um espirito um tanto quanto abalado. Deitei a minha cabeça para o lado ainda fitando-a. Encarei seus olhos azuis, no qual pequenas gotas d’água o fizeram brotar, assim fizera-se uma expansão tempestuosa. – O que é isto? – Sussurrei espantado. Pulei nas nuvens em busca de uma forma de ajudar à idosa. – Ela está vazando -. Olhei-a novamente. Ela não mais vazava, porém abraçava uma imagem. Era uma foto. Aparentava ser bastante antiga. Minha mente já sentindo a fadiga de tentar entender aquela pobre alma, levei o olhar até uma criança e sua mãe. A mãe vestia roupas formais. Quanto a criança, era uma garotinha, uma linda garotinha. Porém sua mãe estava com algum objeto em seu ouvido, parecia se comunicar com este objeto. Ri baixinho. A garota de trança olhava para a mãe com certa tristeza no olhar. – Mamãe? A mãe não lhe deu atenção, apenas falava em seu objeto estranho. A garotinha frustrada tentou pegar na mão – livre -, de sua mãe. A mãe desviou sua mão, colocando-a em um dos bolsos de sua calça. – Mãe? - Querida, estou tentando trabalhar. Acalme-se. – Argumentou a mãe. A menina abaixou a cabeça.  “Estranho” pensei. Direcionei meu olhar até dois jovens. Um garoto e uma garota.  A moça vazava pelos olhos de forma impiedosa. Percebi que isto parecia normal, porém apertava meu coração de tal forma. – Eu não amo mais a ti. – O garoto comentou dando de ombros. A garota ajoelhou-se no chão, escondendo o rosto com as mãos. – Adeus. A moça continuara ali por longos minutos. Apoiei minhas mãos no rosto, olhando para uma turba. Olhei atentamente, me encontrando sem forças para continuar a observar tal cena. Uma jovem deitada no chão, a sangrar, sem um resquício de vida. “ Que mundo cruel ” Pensei. Afastei-me tropeçando, aturdido. Porém repito, – Que jeito engraçado de se viver -. Humanos são estranhos.

Giulia (garotamelancolica)


Seja Amiga da Morte

05 de Dezembro de 1965

“Em uma mente tão frágil, como houve uma razão para a sanidade? Se sua infância fosse interrompida ao conhecer a morte?”

Eu estava ajoelhada em frente à mamãe. Ela sorria com seus lábios pálidos e secos, porém seus olhos fitavam o chão. Sobre a cama seu coração vivera uma pendência contra os próprios batimentos.  – Mamãe? –

- Diga minha estrela. – Disse ela ofegante.  Apertei a sua mão, no qual se encontrava trêmula. E assim continuei, por longos segundos, minutos, horas.  – Não me deixaras, não é mesmo? – Questionei-a. Observando minha mão enlaçada a sua, sorrio. Sorrio. Sorrio largamente, como uma boba criança que acabara de receber o seu presente de Natal. – Mãe?

- Querida, acreditas no meu amor por ti? – Assenti. – Eu dou-lhe a minha palavra, jamais te deixarei. – Disse ela firme, sinceramente.

- Minha estrela, és tão brilhante. O teu sorriso cabe perfeitamente no universo. Tu és a estrela mais límpida que meus humildes e embaçados olhos já vira. – Disse em meio às lágrimas. Eu forcei, eu segurei, mas de forma acabrunhada soltei minhas lágrimas. – Me deixaras não é mesmo? – Perguntei soluçando. Ela nada disse, apenas continuou sorrindo em prantos via as lágrimas. – Eu te amo. Nunca te deixarei, estarei sempre ao teu lado, estarei sempre em teus sonhos, se Deus permitir.

Apertou forte a minha mão. Fechei meus olhos, deixando as lágrimas se emoldurarem em meu rosto. – Adeus mamãe, eu te amo. – Sussurrei.  Instantaneamente mamãe soltou minha mão.

–, Você é a minha estrela agora. – Falei soluçando, abraçando o corpo pálido e gélido. Não havia nenhum vestígio de vida. Ela adormeceu, e nunca mais despertou.

14 de Setembro de 1971

Ali eu me encontrava sentada no asfalto, perdida, despedaçada. Meu penteado provavelmente já havera se desfeito, meu vestido deveria estar imundo, as sapatilhas que vovó me dera nunca doeu tanto quanto nesta sombria noite.  – Moça, o que a levou para este local? – Perguntou-me o policial. Não respondi. Apenas calei-me de forma melancólica. Velei a escuridão.

O policial deu-me o seu casaco, com compaixão. Provavelmente sentira pena de mim, uma mocinha desamparada. – Há outros familiares? –

Neguei com a cabeça. – Estavam todos neste tiroteio? - Questionou-me. Assenti.  Minhas lágrimas vieram átonas. Queimavam, ardiam. – Moça, não chore.

Abracei meus joelhos, enquanto o policial passava sua mão pelas minhas costas, em um ato de tentar me confortar.  Mentalmente me perguntei “Como escapei de tal forma de uma morte tão certa?”.

01 de Abril de 1973

- Escolhes-te a mim ou será apenas uma ilusão? – Perguntei de forma bruta. – Escolhi somente a ti, dei-lhe um amor profundo verdadeiro, correto. – Argumentou. Minhas lágrimas traíram o meu orgulho, desceram dos meus olhos de forma impiedosa. – Fui capaz de enfrentar o meu pai por ti, o vosso pai.

Não eram apenas lágrimas, agora era um rio amargo. – Aliás, foi o meu pai que te acolheu, te amou, teve compaixão de ti. Eu lhe aceitei como uma doce irmã. Mas quem diria? Meu coração sentiu um reboliço profundo. Meu coração te amou, eu te amei. Ele te quer, eu te quero. – Disse sussurrando as últimas palavras. – Não confio em teu amor. O que levaria a ti amar alguém como eu? – Questionei.

Ele abaixou a cabeça. – Não acredito. – Sussurrou, porém fora o bastante para eu poder ouvir. – Acreditas no meu amor por ti? – Perguntou. Assim, lembrei-me do doce som da voz da minha querida mãe. – Desculpe. – Falei baixo. Olhou para mim, pude ver seus olhos azuis encherem-se de lágrimas. – Irei embora. Adeus.

Passaram-se dias, semanas, não houve nenhum sinal dele. Porém houve um dia que eu soube. Ele não se encontrava mais perante a vida.


“Você é como um Dementador, porém um Dementador diferente, quando esta perto tudo fica gelado, e esqueço de todo tipo de lembranças, e só vejo você em meus pensamentos.”

Prostrou-se a pedras frias que a escuridão desenhava de forma sombria. Abalada com os batimentos do seu coração, pôs a mão em seu peito num ato de tranquilizar suas emoções. Antes de sentar-se, leu as palavras que provocara grande descalabro em sua vida. “Aqui Jaz um doce jovem amado por conhecidos, amado por Deus. – K. (1945 – 1961)”. Sentindo o peso das palavras, desabou de joelhos, o que havera provocado pequenos machucados.  Sentiu suas lágrimas virem átona, de forma dolorosa, causando-lhe grande fadiga ao coração. O fogo das lágrimas, lhe queimava as pálpebras. A moça observou todas as flores que se encontravam acima do túmulo. Deitou-se entre elas, inspirando o doce aroma. Ali se encontrava a jovem, tão desamparada sem o seu amor. Seu seio queimava em sua pele ardente - queimava-se a alma-.  Bateu em seu peito, tentando oprimir a dor que vinha do coração. Debalde assim foi. Não se encontrava mais sân. Estava à beira da loucura. A saudade a devorava, enquanto sua mente despertava a conclusão de uma sanidade sem noção. A moça não poderá expelir de seu coração a imagem daquele que sempre a deixou sem chão. As nuvens decididas a acompanhar a tamanha tristeza da moça puseram-se a chuviscar, enquanto abraçavam a lua que se apresentava completamente radiante, sendo o único ponto de luz de uma noite fria e impiedosa. “– Vá, e prometa-me que nunca voltarás.” E assim foram as últimas palavras ditas pela jovem para seu amado. Lembrando-se agarrou as flores, soluçando, enquanto fechava forte suas mãos. “Que seja apenas um pesadelo, que seja apenas um pesadelo.” Repetiu mentalmente para si. De fato era um pesadelo, porém um pesadelo real. A jovem pensara novamente em suas últimas palavras que escaparam de seus lábios para o seu jovem dos olhos castanhos, logo após a uma dura discussão.  “Ele não voltou” Pensou, enquanto as nuvens a encharcavam com suas lágrimas.  A moça sentiu-se completamente culpada. Seu coração apertou-se mais, se possível. Assim, desejou o seu fim.  “Não foi sua culpa, minha jovem.” Ouviu o vento sussurrar.  – Sim, é a minha culpa. – Disse entre soluços. “Nada disso, então enxugue essas lágrimas. Ele está bem e te ama muito e eu também te amo.” - Quem é você ? “Sou aquele que quer o teu bem, aquele que moveria montanhas pela tua felicidade” - Onde se encontra o meu amado? Ele nunca me perdoará. “Esculpindo o teu rosto nas nuvens, e sim, ele já a perdoou.” A moça assustada ficou em silêncio. Por impulso olhou para o céu que se encontrava negro, com a presença apenas de uma Lua e resquícios das nuvens manhosas. A jovem fechou os olhos por longos segundos, ao reabrir não havia mais chuva. Deparou-se com uma estrela, não qualquer estrela, mas a estrela mais brilhante que já vira. “É ele” Pensou ao sorrir.    Giulia (garotamelancolica)


Em um coração que se encontra frágil, predomina-se a dor de um passado inexorável. Já amara antes, isso é fato, porém seus sentidos se encontravam tortos e confusos. Não retirei a ideia do crânio - Amor. Existe? – “Felizes para sempre” Oh, Deus. Tudo me parece tão fantasioso, tão surreal. Eu olho para trás, e deparo-me com antigas paixões. Antigas. Paixões. Será que eu poderia considerar esse sentimento duvidoso, de um amor profundo? Apesar de me sentir um pouco constrangida por ser a única pessoa a duvidar de um sentimento que nunca pôde ser ponderado de forma coerente, vos digo em voz alta. Não acredito neste tal de amor. Atirem as pedras, não me importo, mas reflitam comigo. Depois de ter o seu momento de reflexão, o que me diz sobre esse sentimento? Posso me encontrar num dito falho, mas não houve aquele que me provasse a existência desta coisa chamada “Amor”. Podem não compreender ao certo, aliás, você ama seus amigos, seus pais, seus tios, seus primos. Mas quanto aquele amor forte entre sexos – ambos aparentam estar apaixonados-. Existe?  Tamanha seja a quantidade de questionamentos, me corrói a alma – me corrói o coração-. O que me chegou a duvidar deste clichê meloso? Um passado duvidoso. No qual eu sempre me encontrava perdida, chorando lágrimas amargas, em azulejos tão frios quanto está alma do presente, que habita o meu ser sem compaixão. Giulia (garotamelancolica)


“A jovem continha os lábios extremamente cheios e rosados, quanto às maçãs do rosto pareciam dois pãezinhos de queijo, porém levemente corados. Sua pele branca ressaltava os seus cachos negros que desciam sob os ombros. A moça sorria de uma forma convincente, mas seu olhar a entregava. Naqueles olhos azuis ele pôde ver o vazio, e naquele exato momento sua mente alimentou a vontade impulsiva de perguntar o porquê de tamanha tristeza em olhos tão belos. Mas seu coração falou mais alto, e cresceu a necessidade de guardar a bela moça envolta de seus braços.”
— Giulia

“E galgava sufocada,
com o seio que queimava
no ritmo das batidas
de um coração
que se agonizava.”
— Giulia